80 anos parecem muito. 969 parecem uma eternidade.
Mas bastam 24 meses para transformar alguém irreversivelmente, para marcar a alma, distorcer a visão do mundo e mudar o curso de toda a vida que vem depois.
Ela completa 20 anos.
Boa sorte.
Vocês falam de amor como se fosse magia,
mas tropeçam nas próprias ilusões como quem coleciona troféus invisíveis.
Porque existe uma beleza rara
em quem não implora por encantos,
em quem não confunde migalhas com banquete,
em quem aprende a florescer
mesmo sem plateia.
Estou cansado, chefe.
Mas não é um cansaço simples, desses que o descanso resolve.
Já não sei exatamente do que estou cansado e talvez esse seja o sinal mais claro da exaustão.
A pior parte não é o esforço, nem o tempo que passou.
Não por maldade, mas por esperança.
Era mais fácil desejar ter feito as coisas certas
do que encarar se, de fato, eu as fiz.
Confundi intenção com realidade.
Confundi aparência com avanço.
E, enquanto eu me convencia de que estava bem,
o tempo passou outra vez.
Esse ano eu morri.
Morri nas pequenas coisas, nos dias em que me deixei afundar, nos silêncios que engoli, nas escolhas que adiei. Morri um pouco cada vez que deixei a vida me levar sem lutar, acreditando que era o destino decidindo por mim.
Mas o próximo ano... o próximo ano eu não morro.
Não vou me entregar à sorte, nem culpar o azar.
Não vou esperar que o vento mude sozinho.
Dessa vez, eu serei o vento.
Serei presença no lugar onde fui ausência,
movimento onde fui estagnação,
grito onde fui silêncio.





