Ainda sobre a polêmica entre abstêmios e ermitões e @RenanSantosMBL , @PessoaA99 e a recomendação de "sair para beber", recomendo os dois livros abaixo para vocês entenderem desdobramentos de segunda ordem do isolamento generalizado.
Em Bowling Alone (2000), Robert Putnam mostrou que os americanos jogavam cada vez mais boliche, mas cada vez menos em ligas. Junto com o ocaso das ligas, definharam também clubes, igrejas, sindicatos e a associação de pais da escola. Putnam chama o que se perdeu com isso de capital social, que é a confiança geral que permite a nós cooperarmos com quem não é da nossa família.
Já Hyperpolitics, do historiador belga Anton Jäger, aplica com um olhar mais à esquerda esse argumento à política de hoje. A hiperpolítica é a politização extrema de todos sem consequências políticas reais. Todo mundo tem opinião sobre tudo e quase ninguém pertence a nada. Militância online custa pouco para entrar e nada para sair, por isso não dura, desaparece antes de virar poder real. Essa revolta desorganizada e low touch só beneficia quem mantém a duras penas grupos e associações reais funcionando - vide aí o poder das igrejas neopentecostais e do PT.
A esquerda sabe disso desde sempre.
O PT nasceu entre sindicatos do ABC, colóquios uspianos, igrejas católicas e o boteco da esquina.
Já o bolsonarismo lota a Paulista várias vezes e não consegue sequer registrar o próprio partido.
Ninguém está mandando encher a cara, pode pedir guaraná, mas imagina só querer refundar o Brasil sem nunca ter dividido uma porção de batata frita com quem vai lutar do seu lado.
Pior: imagina só ser um primata e querer ser feliz sem dividir uma porção de batata frita com ninguém.
"Luva de Pedreiro pai assume como CEO do Youtube"
"Motorista da linha Cidade Tiradentes / Metrô Bresser pai assume como CEO da Marcopolo"
"Escritor Augusto Cury pai assume como CEO da Cia das Letras"
Neymar Pai assume o cargo de CEO no Santos.
diariodopeixe.com.br/noticia…
Formada em Letras que desconhece escolas de interpretação de matriz psicanalítica, marxista, desconstrucionista e mais e mais.
E tem mil likes.
País bacharelesco tem dessas. O sujeito ganha um canudo desse sistema universitário sem critério e sai pontificando bobagens com audiência garantida.
Não fazer nada é a decisão mais subestimada que existe.
Recentemente tive uma situação profissional que me fez pensar nisso. Nós, especialmente no mundo corporativo, aprendemos que, diante de qualquer problema, alguém precisa fazer alguma coisa. Temos um viés de ação.
Ocorre que muitos problemas se resolvem sozinhos. Outros problemas ainda chegam a piorar justamente porque alguém decidiu fazer alguma coisa.
Os próprios soldados do romano Quintus Fabius Maximus o chamavam de babá de Aníbal, porque ele ficava seguindo o general cartaginês pela Itália sem travar combate, a tal "estratégia fabiana" cujo nome socialistas europeus do século XX usaram para batizar a estratégia protelatória de ocupação gradual de instituições em oposição à estratégia revolucionária.
Eventualmente, os romanos cansaram de esperar, alguém decidiu que "precisamos fazer alguma coisa", ofereceram batalha em Cannae e foram derrotados por Aníbal, perdendo uns 50 mil homens num único dia!
Outro bom exemplo é bem nosso. Dom João VI, retratado como o gordão indeciso das coxas de frango na cultura popular brasileira, enrolou Napoleão até não poder mais. Napoleão terminou exilado em um rochedo no meio do Atlântico. Dom João morreu rei de um império global.
Na dúvida, se não tiver uma boa razão para agir, não faça nada. Quase sempre dá tempo de agir depois se necessário.
Já estão fazendo isso de uma maneira que há poucos anos daria cadeia aos envolvidos por "milícia digital".
Como a eles tudo é permitido, não perderam tempo e transformaram o tal "Exército do Lula", com mais de dez milhões de membros no Whatsapp, em canal de orientação direta.
Tenho uma conhecida que ficou alucinada nessas eleições e fica mandando em grupos de amigos as missões do Janones.
Anteontem mesmo foi uma missão dada pela Erika Hilton, para pressionarem vereadores de São Paulo para votarem não sei o quê.
Eles tem os seus próprios "camicie nere" virtuais e vão usar com gosto se não forem parados pela lei.
Enquanto ninguém faz nada, é bom cada grupo ir montando seu exército virtual para guerra total e permanente.
O ponto do @PessoaA99 é que as pessoas precisam conviver em carne e osso. Beber socialmente é só um dos caminhos tradicionais que propicia esse convívio, não tem nada a ver com ser millennial.
A internet, obviamente, não é de todo ruim. As redes sociais conectam amigos e o videogame é inofensivo para a maioria em moderação. Ocorre que a conexão virtual não é tão boa quanto as conexões que ela substituiu.
No livro "Geração Ansiosa", o autor Jonathan Haidt relata que, quando os adolescentes americanos migraram para o smartphone, o tempo com amigos ao vivo caiu pela metade, de duas para uma hora por dia, entre 2012 e 2019. Provavelmente é ainda pior hoje.
Na vida real, o convívio tem corpo e entrar e sair de um grupo tem custo, não é algo que se faça de qualquer jeito. Por esse motivo, a gente investe nas relações e em consertar as brigas quando elas acontecem. Na rede, basta bloquear ou sair, e as relações viram descartáveis.
Além disso, morrer várias vezes por dia no Fortnite não ensina ninguém a lidar com risco de verdade, daquele que todos teremos que administrar ao longo da vida. Chamar uma garota para sair pessoalmente, enfrentar a possibilidade de rejeição é um exemplo de risco saudável que um rapaz precisa correr para aprender a se relacionar que ele jamais vai aprender online.
Para terminar voltando ao álcool, o importante não é o álcool em si, mas os contextos onde ele é tradicionalmente consumido. O sujeito trancado no quarto, que acha mais saudável definhar em frente à televisão, certamente não vai começar correndo no Ibirapuera às seis para conviver com gente, mas talvez ele aceite tomar um chope com dois amigos - que podem até ser virtuais! - numa sexta-feira à noite.
O camarada emprestou dinheiro para a quebrada Chilli Beans dentro do hackeado Mercado Bitcoin.
A vida, ela requer coragem, amigos!
Replying to @Sonecarox
Tem uns 33k em renda fixa la, tomare que eu nao faça o L até porque sao produtos diferentes 😑
É muito fácil "sair" das coisas hoje em dia. Sair de um casamento, de uma igreja, de um partido ou de um grupo de amigos não tem nem remotamente o mesmo custo que "sair" tinha no passado.
Como é fácil "sair", as pessoas abordam essas relações e pertencimentos como um investidor aborda seu portfólio na bolsa: enquanto estiver rendendo, estou dentro, mas vendo assim que os indicadores de baixa despontarem.
Esses laços frágeis dificultam demais a construção de coisas como "every great thing in the past", porque "strong friendships between two men, or brotherhoods of men" são tão raras hoje como a arara azul.
Essa característica do nosso momento hiperpolítico torna ainda mais fascinante a ambição que move o projeto da Missão, que é construir um movimento real, de relações verdadeiras, com expressão física em congressos e lugares de convívio, que seja uma casa à qual as pessoas possam pertencer em sentido profundo, que se torne parte de suas vidas. "Sair" tem que ser doloroso para que entrar seja um compromisso real.
Gostem ou não, a ambição do projeto, que vai na contramão do nosso tempo, tem uma beleza própria que independe da aderência do observador à causa.
Mas hoje em dia é foda.
Rezem para o Lula não se engraçar com o André, senão veremos o Real ser morto por um dos seus próprios pais. Tragédia grega.
Já é o segundo elogio que faço a algo feito pelo @sugamosto1 em menos de um mês - o primeiro foi ao seu livro recém-lançado, "Os Reinados Encobertos", que acabei recentemente.
Não, ele não me pagou nada nem virei afrescalhado. O homem realmente tem talentos múltiplos!
Escutem também o single que ele fez com produção do @AndrasAtlason e vocês entenderão.
Amigos, colegas e desafetos!
Já está disponível nas plataformas digitais “Capitão Ahab”, meu novo single, produzido pelo talentoso Andras Atlason.
A canção é inspirada no personagem de Moby Dick, de Herman Melville, esse capitão obstinado que leva sua obsessão até as últimas consequências.
Ficarei muito feliz se vocês puderem reservar alguns minutos para ouvir e me contar o que acharam. E, se gostarem, compartilhem com os amigos! É uma ajuda enorme para quem se aventura na produção musical autoral.
O link vai nos comentários:
Rafael Fonteles é um sujeito de currículo absurdo, de um tipo que não devem haver mais de cem no país. Se o Brasil tiver a sorte de ele herdar o espólio político de Lula, nunca mais ganharemos Copa, medalha olímpica ou campeonato de Fórmula 1, porque os bons augúrios terão sido todos gastos nisso aí. Continuará sendo petista, portanto adversário sem trégua, mas perder para ele será um daqueles folhetinhos de paraíso das Testemunhas de Jeová em comparação com uma derrota para Lula (que já fala em Gleisi no TCU!) e seus apadrinhados.
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É verdade, mas nesse meio tempo, a justiça do Reino Unido, país no qual a Venezuela guardava mais de 30 toneladas de ouro como reservas e que reconhecia Guaidó como governante legítimo, deu a ele o controle dos ativos venezuelanos que tinha em custódia.
Baita transtorno, para dizer o mínimo.
Não acho que isso vai acontecer conosco e que nossas reservas no FED estejam em risco, porque o FED é independente, o Brasil é bem maior que a Venezuela, a comunidade internacional em peso reconhece a legitimidade do governo, Trump vai tomar um pau nas midterms e mesmo que não tomasse, ele não liga tanto assim para a questão.
De qualquer modo, ao menos do ponto de vista teórico, existe esse risco, que se materializou com Guaidó, que hoje está esquecido, mas causou um problemaço à época.
Um pária internacional o Brasil não vai virar, porque Trump está absolutamente isolado nesse apoio à família Bolsonaro, e mesmo ele já sinaliza que não vai fazer nada com seu “I like Lula, I get along with him”. Ninguém na Europa, na Ásia e em qualquer outro lugar do mundo se importa a ponto de brigar com o Brasil. A Argentina de Milei até se importa, mas precisa mais de nós do que nós precisamos deles.
Isso dito, é realmente ruim para a imagem do país que, horas depois do pleito, cacem os passaportes do candidato derrotado e iniciem essa perseguição. Não importam os motivos alegados, quaisquer que sejam eles certamente existiam já há muito tempo. Que sejam utilizados apenas agora, imediatamente após o fim da eleição, será interpretado por todo mundo que tem olhos para ver como perseguição política das mais rasteiras.
Brasil em 2030 depois de Lula cometer o mais extraordinário estelionato eleitoral da história com seu gado e chamar o maior dream team desde a seleção americana de basquete de 1992 para tocar a economia.




























