A primeira pesquisa Focus feita depois da reeleição do presidente Lula mostrou o mercado refazendo o cenário a partir do câmbio: a mediana para o dólar no fim de 2026 subiu de R$ 5,05 para R$ 5,34, e a inflação esperada subiu junto.
O IPCA de 2027 saltou de 4,34% para 4,76%, acima do teto de 4,5% da meta, e com isso os economistas passaram a projetar menos cortes de juros, ou seja, a Selic de 2026 foi de 13,25% para 13,50%, e a de 2027, de 11,75% para 12,50%. Com juros altos por mais tempo, o crescimento esperado encolheu, e o PIB de 2027 caiu de 1,31% para 1,20%.
O Copom anuncia a decisão sobre a Selic na próxima quarta-feira (4).
O petróleo Brent caiu quase 8% no fim da tarde desta segunda-feira (2), a US$ 104 por barril, depois que Estados Unidos e Irã sinalizaram disposição para negociar o fim da guerra. É a maior queda em três meses. Segundo a agência estatal iraniana Irna, o líder supremo do país aprovou que o governo busque negociações. Antes, Donald Trump disse ao premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, que quer dar mais tempo à diplomacia.
Trump comemorou a queda nas redes sociais. O presidente republicano escreveu que os preços caíam “como uma pedra” porque “as pessoas sentem que não haverá guerra com o Irã” e que o país quer um acordo "o mais rápido possível". Questionado se retomaria os ataques depois das eleições legislativas americanas desta terça-feira (3), respondeu que não.
O mercado havia embutido nos preços o risco de uma nova escalada depois da votação, e o petróleo subiu mais de 10% em outubro. Em outras fases do conflito, as cotações caíram com rumores de acordo e voltaram a disparar quando os combates se intensificaram.
O Mercado Bitcoin (MB) teve US$ 50 milhões desviados em um ataque hacker na madrugada desta segunda-feira (2) e suspendeu temporariamente saques e depósitos de clientes. A corretora afirma que interrompeu as transferências fraudulentas e que as contas dos clientes não sofreram prejuízo.
O ataque atingiu as chamadas "carteiras quentes" da empresa, conectadas à internet e que não guardam a maior parte dos ativos. As "carteiras frias", por outro lado, mantidas fora da rede, ficaram intactas. Pela manhã, a empresa de segurança Hypernative identificou transferências das carteiras do MB para contas recém-criadas, em redes como bitcoin, ethereum, solana e tron.
É o terceiro ataque a uma grande corretora de criptomoedas em pouco mais de um mês. Em 24 de setembro, a Bitget perdeu cerca de US$ 350 milhões. Na quinta-feira, 29 de outubro, a Binance, maior do mundo, teve US$ 6,3 bilhões roubados, no maior golpe da história do setor, atribuído pelo FBI a hackers da Coreia do Norte.
O ataque ocorre dias depois do fim do prazo, em 30 de outubro, para que as corretoras que já operavam no Brasil pedissem autorização ao Banco Central. O MB protocolou o pedido em 27 de outubro. Fundada em 2013, a empresa diz ter 4,5 milhões de clientes e tem entre seus investidores a Tether, maior emissora de moedas digitais atreladas ao dólar, o grupo japonês SoftBank, sócio desde 2021, e a GP Investimentos.
O governo cancelou R$ 253,9 milhões em verbas do Ministério da Defesa e das Forças Armadas e devolveu R$ 27,4 milhões à própria pasta, num corte líquido de R$ 226,5 milhões. A portaria do Ministério do Planejamento foi assinada na terça-feira (27) e publicada no Diário Oficial na quarta (28), três dias depois do segundo turno. Do total cancelado, R$ 107,7 milhões iriam para o pagamento de militares da ativa do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, e R$ 112,7 milhões estavam numa reserva para despesas com pessoal.
O corte faz parte de um remanejamento de R$ 5,17 bilhões, dos quais R$ 4,73 bilhões reforçam o BPC, benefício pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. A Defesa responde por cerca de 4% do dinheiro retirado. As maiores fontes são uma reserva para despesas com pessoal, de R$ 1,23 bilhão, os subsídios ao crédito rural, incluindo o Pronaf, de R$ 1,09 bilhão, e a conta que banca descontos na tarifa de luz, de R$ 621 milhões.
A Saúde aparece com reforço de R$ 388 milhões para medicamentos, mas as mesmas linhas perderam R$ 449 milhões em outros pontos, e o saldo da pasta ficou negativo em R$ 62 milhões. A maior parte é redistribuição entre estados. A Polícia Rodoviária Federal também perdeu verbas de pessoal: R$ 119 milhões.
Como o reforço foi coberto com o cancelamento de outras verbas, o gasto total do governo não aumenta. O tamanho da operação, porém, revela que o dinheiro previsto no orçamento para o BPC não bastaria para pagar o benefício até dezembro, e a conta foi dividida entre dezenas de rubricas de vários ministérios.
A Jetour, marca de carros do grupo chinês Chery, deve anunciar no início de 2027 seu projeto de produção no Brasil. A empresa ainda decide entre construir uma fábrica própria ou usar a capacidade de outra montadora, sem descartar a Omoda Jaecoo, do mesmo grupo. Local, investimento e modelos ainda não foram revelados.
Fabricar no país reduziria o peso dos impostos, tornando os carros mais competitivos, e daria ao consumidor um sinal de que a marca veio para ficar. “Quando você chega e fala que aqui está a produção local é o último passo”, disse o diretor de marketing, Henrique Sampaio. A empresa também prevê lançar híbridos flex, que rodam com gasolina ou etanol, em 2027.
A escala do automóvel ainda é pequena. A Jetour emplacou cerca de 7.400 carros no Brasil neste ano, quer chegar perto de 10 mil até dezembro e passar de 70 para 100 concessionárias. A BYD, que já produz na Bahia, emplacou 22.209 veículos só em setembro.
A Suzano, maior produtora de celulose de eucalipto do mundo, vai aumentar em US$ 50 por tonelada o preço da matéria-prima do papel para clientes na Europa e na América do Norte a partir de novembro. Na Europa, o preço de tabela passará a US$ 1.410 por tonelada. A empresa confirmou o reajuste, que já havia sido antecipado por uma fonte do mercado.
Esse é apenas mais um passo numa sequência de altas, já que, neste mês, a companhia já havia elevado os preços em US$ 20 na Ásia e em US$ 50 nas Américas. Mesmo assim, o valor europeu ainda fica abaixo dos US$ 1.430 de maio, quando a Suzano subiu os preços diante da alta dos custos de transporte e insumos provocada pela guerra no Oriente Médio.
As ações da Suzano subiram quase 3% na quinta-feira (29), dia do anúncio. O efeito no resultado da empresa dependerá de os clientes aceitarem os novos preços, e a alta pode encarecer o papel e as embalagens produzidos com a celulose.




