AMERICANOS, MEUS PÊSAMES.
Vou falar claro.
Vocês estão perdendo as midterms. Estão jogando fora a maior chance que tiveram em décadas de usar o poder, a coragem e a responsabilidade do maior presidente dos Estados Unidos nos últimos tempos. Trump superou os quatro últimos. E o mundo inteiro sabe disso.
Quem perde não são só os americanos. Quem perde é o mundo. O mundo precisa da força de Trump. Que outro presidente ousará enfrentar o Irã de verdade? Que outro ousará defender Israel com a firmeza que ele defende? Que outro terá a coragem de olhar nos olhos do globalismo e dizer não?
Será que vocês não percebem? Os globalistas têm um objetivo claro: destruir a América. Quando vocês estiverem na miséria, ou vocês acham que serão potência eternamente? Estudam pouco. Não estudam o que é globalismo, o que eles querem com o mundo, o que já fizeram com a Europa. Continuam achando que a história não chega até vocês.
Ainda bem que Trump tem Marco Rubio e JD Vance na frente. Nos democratas não há ninguém à altura, principalmente de Rubio. Ainda há caminho. Mas essa eleição mostra o tamanho do desperdício.
Trump, vá em frente. Use os instrumentos que lhe restam. Aplique os decretos. Nestes dois últimos anos você terá dificuldade com esse Congresso, mas os decretos estão nas suas mãos e ninguém o proibirá de usá-los. O mundo precisa de você. Nós precisamos de você. Use a sua coragem, a sua experiência, o seu poder e os seus assessores. Faça o que tem que ser feito pela América e pelo mundo. Você não precisará mais de nada. Cumpra o seu papel de presidente. Não tenha medo. Você está protegido por Deus.
O resto é com o povo americano. Que pelo menos aprenda alguma coisa.
Thaumaturgo Araujo
AMERICANS, MY CONDOLENCES.
I will speak plainly.
You are losing the midterms. You are throwing away the greatest opportunity you have had in decades to use the power, the courage, and the responsibility of the greatest president the United States has had in recent times. Trump surpassed the last four. And the whole world knows it.
It is not only Americans who lose. The world loses. The world needs Trump’s strength. What other president will truly confront Iran? What other will defend Israel with the firmness he has shown? What other will have the courage to look globalism in the eye and say no?
Do you not see? The globalists have a clear objective: to destroy America. When you are in misery, or do you believe you will remain a superpower forever? You study little. You do not study what globalism is, what they want with the world, what they have already done to Europe. You continue to believe that history will not reach you.
Fortunately, Trump has Marco Rubio and JD Vance ahead. Among the Democrats there is no one of their stature, especially Rubio’s. There is still a path. But this election shows the scale of the waste.
Trump, go forward. Use the instruments that remain to you. Apply the executive orders. In these last two years you will face difficulty with this Congress, but the decrees are in your hands and no one will forbid you from using them. The world needs you. We need you. Use your courage, your experience, your power, and your advisors. Do what must be done for America and for the world. You will need nothing more. Fulfill your role as president. Do not be afraid. You are protected by God.
The rest is up to the American people. May they at least learn something.
Thaumaturgo Araujo
ESTUPIDEZ, ESTUPIDEZ, ESTUPIDEZ.
BOICOTE AO NORDESTE? ISSO É ESTUPIDEZ PURA. O CULPADO SOMOS NÓS.
Vou falar claro.
Cada um compra onde quiser, escolhe a loja que quiser, tem suas preferências e seus boicotes pessoais. Isso é direito de consumidor, é liberdade. Agora, boicotar uma região inteira? Boicotar o Nordeste? Isso não é política, isso é estupidez pura. É ignorância. É entregar o Nordeste à esquerda, ao inimigo, ao diabo. É dividir o Brasil em pedaços enquanto o verdadeiro problema continua de pé. Quem sabe se esse boicote não nasceu exatamente de uma estratégia do inimigo, para dividir e encurralar o Nordeste novamente? O povo mais estúpido é o que cai nessa.
Vamos nos acordar, minha gente. Chega de dormir.
Todos nós sabemos o que aconteceu nessa eleição. Todos. Será que ainda existe alguém com dúvida sincera sobre o que se passou? Não bastam os relatos que se multiplicam, as inconsistências, as denúncias, os depoimentos? Quantas provas mais o Brasil precisa para olhar de frente o que ocorreu?
E diante disso, a resposta de alguns é boicotar o Nordeste?
O povo nordestino não tem culpa disso. Não tem. O nordestino foi, mais uma vez, vítima de maus políticos que usaram a região como curral eleitoral por décadas. Usaram a fome, a seca, a necessidade, a dependência. Fizeram do sofrimento uma máquina de votos. Isso não é novidade. Tem história, tem método, tem nome: revolução cultural disfarçada de assistência.
O controle político sobre o Nordeste é real e tem décadas: clientelismo, assistencialismo seletivo, captura de instituições locais, educação e cultura usadas como ferramenta. Isso aconteceu também porque muitos de nós nos descuidamos. Preocupamo-nos apenas em sair do Nordeste e vencer na vida em outras regiões, em outros países, e descuidamos da vida política da nossa terra. Eu assumo a crítica. Eu mesmo. Deixamos o campo livre e aconteceu o que aconteceu.
Mas o culpado disso não é o nordestino. O culpado somos todos nós, brasileiros, que deixamos isso acontecer com o Brasil. Que permitimos que o país inteiro fosse tratado assim. Que ficamos brigando entre regiões enquanto o sistema se alimentava da divisão.
Boicotar região nenhuma. Boicotar o povo, não.
Quem quiser gastar seu dinheiro no Sul, no Sudeste, no Centro-Oeste ou onde preferir, que gaste. Isso é livre. Mas transformar o Nordeste em inimigo por causa de uma eleição que todos sabemos como se deu é dar de presente exatamente o que os maus políticos querem: brasileiros se odiando por região, enquanto eles continuam no poder.
A próxima eleição está vindo aí em 2028, e tudo vai se decidir nas prefeituras se não trabalharmos agora. Se não cuidarmos disso desde já, vão tomar tudo novamente. Basta ver o que o Kassab está fazendo. O PSD dele está investindo forte em todo o Norte e Nordeste do Brasil. Eles querem o domínio. As prefeituras são a base de tudo. É no município que está o eleitorado. É lá que se constrói ou se destrói o poder.
Temos que ser vigilantes agora. Vamos parar de boicotes e de divisões. Vamos nos unir para melhorar o Brasil, não para dividi-lo mais ainda. Vamos corrigir as falhas e os pecados que cometemos no passado pelo nosso comodismo, pelo nosso egoísmo, pelo nosso orgulho, pela nossa vaidade ou até pela própria luta pela sobrevivência. Cada um tem a sua história. Mas agora é hora de cuidar do Brasil inteiro, não só do Nordeste. Porque as prefeituras sustentam o governo. Sem controle municipal, não há mudança nacional.
Temos muitas missões pela frente. É nosso dever cobrar dos candidatos que elegemos lealdade ao Flávio e exigir que sigam suas orientações. Começamos agora a nossa parte. Sem desculpa. Sem acomodação.
Chega de estupidez. O problema não é o Nordeste. O problema é o Brasil que nós permitimos. E a solução começa agora, nos municípios, com união, vigilância e trabalho.
Thaumaturgo Araujo
SENHORES SENADORES, DEPUTADOS E GOVERNADORES: NÃO DEMOS NOSSOS VOTOS PARA NOS DEIXAREM SOZINHOS
Nos últimos três dias tenho dedicado a ouvir e participar de debates, tentando entender e captar a dor que todos estamos sentindo. As vozes ficaram comigo. Mulheres falando dos filhos, do medo do amanhã, do atendimento que não chega, do cansaço de esperar. Vi muita tristeza e dor nas falas.
Ouvi mulheres que tinham colocado na eleição de Flávio Bolsonaro uma esperança simples e doméstica: cuidar da família, conseguir um tratamento, envelhecer com um pouco de paz. Por trás da política havia uma casa inteira esperando. Reconheço nessas mensagens uma parte da minha própria tristeza. Me dói principalmente quem já vinha aguentando tanto e agora não sabe de onde tirar força para continuar.
Ao presidente Lula e ao governo que terá continuidade: você deveria ter refletido mais sobre tudo o que já recebeu na vida e sobre a sua idade antes de assumir de novo esse compromisso com a nação. A ganância pelo poder o tornou irresponsável e criminoso mais uma vez. Todos sabemos que quem vai governar não é você. É o sistema. Não transfira a conta para o povo que já carrega o peso do dia. Pensem na mulher que sai antes do amanhecer com exames numa pasta e volta sem resposta. No idoso que escolhe o que vai adiar.
Aos deputados, senadores e governadores que ajudamos a eleger: vocês chegaram até aqui porque seguimos a orientação de Flávio Bolsonaro. Não traiam o Flávio. Não nos traiam. Não nos deixem sozinhos. O que me dói é imaginar uma dessas mulheres descobrindo que aquele em quem confiou está mais preocupado com a próxima candidatura do que com o mandato. Não façam isso com ela. Não a façam sentir vergonha de ter acreditado.
continua…
Parte 2/3
Se pretendem mudar de posição, expliquem. Se discordam de aliados, digam as razões. Mas não abandonem o que prometeram esperando que o tempo apague a memória de quem os elegeu. Fiscalizem os gastos, cobrem os hospitais, exijam respostas. Apresentem propostas e acompanhem até o fim. Enfrentem abusos com os instrumentos do cargo e com a coragem que anunciaram ter. Queremos saber o que fizeram, o que encontraram pela frente e o que farão a seguir.
Fiquem atentos: nossa participação não terminou na urna. Nós vamos acompanhar. Vamos ficar conectados. Não vamos deixar de cobrar um segundo. Estamos vendo quem se manifesta, quem fica em silêncio e o que cada um escolhe dizer. Acompanharemos projetos, votos, ausências e providências. Não será só “gostei” ou “não gostei”; será nome, data, voto ou ausência, e o que foi cobrado depois. Enviaremos pelos canais oficiais, registraremos e insistiremos quando houver silêncio. Tornaremos público, estado por estado, com nomes e datas que qualquer um possa conferir. Nas próximas eleições lembraremos o que cada um fez com a confiança recebida.
Do outro lado de cada mensagem há alguém esperando atendimento, alguém preocupado com o sustento da família, alguém procurando uma razão para confiar. Não obriguem essas pessoas a implorar também pela atenção de quem as representa.
Penso também nos homens e mulheres de uniforme. Quantos militares no Exército, na Marinha e na Aeronáutica? Quantos policiais nas polícias militares e civis? E a Polícia Federal? Como pode uma nação tão grande, de 215 milhões de habitantes, ser governada por uma fração dessa força, fracionada por dentro e unida a um sistema tão pequeno? Como uma fração unida a um sistema tão pequenininho pode ditar o rumo de um país inteiro? A todos dirijo um apelo de consciência: que a fidelidade à Constituição e ao povo brasileiro esteja presente em cada decisão.
Será que vamos assistir ao agravamento dos problemas como se nada pudesse ser feito? Será que a experiência da Venezuela, Cuba e tantos outros, não provocam uma reflexão séria sobre concentração de poder e responsabilidade pública?
Com toda a experiência que acumulei, não consigo enxergar saídas fáceis. Eu só consigo visualizar dias difíceis e anos terríveis pela frente, até que um novo governo entre. A economia já está quebrada, a ideologia está obsoleta, o presidente está envelhecido e o sistema está no controle. E o sistema não quer saber de povo. O sistema quer saber de si próprio. Por essas razões, vejo dias sombrios pela frente. Há também um povo hipnotizado e enfeitiçado que votou nesse caminho e agora precisa parar de se queixar como se não tivesse escolhido nada. Tenho pensado em nosso povo como alguém levado por uma correnteza. A água vai afastando a margem, o corpo se cansa, e o estrondo da queda começa a chegar aos ouvidos. Eu também me sinto dentro dessa água, procurando onde firmar a minha mão. Para muita gente, o voto foi essa tentativa de encontrar apoio. Nossos representantes precisam compreender isso. Não recolham a mão agora.
Continua…
É com essas vozes ainda dentro de mim que me volto para Nossa Senhora.
Minha querida Mãe, neste Dia de Finados, venho a vós trazendo quem sofre a ausência de alguém e quem, em silêncio, precisa de amparo para continuar. Acolhei-nos sob vosso manto e conduzi nossa oração ao vosso Filho.
Vós conheceis minhas horas de estudo sobre vossas aparições, o livro que estou escrevendo e meu desejo de aproximar outros corações de Jesus. Minha fé é pequenininha, Mãe, mas é sincera. Ajudai-me a encontrar palavras que acolham e a escutar quando as palavras não bastarem.
Acalmai também meu coração diante dos caminhos do Brasil. Eu acreditava que tínhamos uma escolha melhor e ainda me dói o destino que tantos escolheram para nossa pátria. Dai-me paciência para compreender essas pessoas, sem deixar que minha tristeza se transforme em ressentimento.
Olhai pela mãe que esconde o choro, pela pessoa idosa que teme ser um peso, por quem enfrenta a depressão, a angústia e o medo. Que ninguém tenha vergonha de pedir ajuda. Que encontre cuidado, tratamento e alguém disposto a permanecer ao seu lado.
Meu amado Jesus, tende misericórdia de quem sofre. Sustentai quem cuida, aproximai os recursos necessários e tocai o coração de quem tem o poder de decidir. Aos que elegemos, dai consciência de que cada decisão alcança uma família tão merecedora de cuidado quanto a sua.
Oremos pelas pessoas presas em decorrência do 8 de janeiro e por suas famílias. Que tenham dignidade, saúde, direito à defesa e justiça em cada caso. Amparai Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e todos os que trabalham pelo Brasil, aqui e no exterior. Dai-lhes saúde, discernimento e responsabilidade.
Minha Mãe Santíssima, perdoai minhas ausências. Quantas vezes acompanhei as notícias e deixei a oração para depois. Ajudai-me a voltar ao vosso Filho, à Missa, à confissão e à Eucaristia. Ensinai-me a permanecer junto dele também quando a aflição passar.
Neste Dia de Finados, meu Jesus, confio à vossa misericórdia as almas dos que partiram. Concedei-lhes o descanso eterno e fazei brilhar sobre elas a vossa luz. Consolai quem hoje reza entre lágrimas, recorda uma voz querida e sente falta de um abraço que já não pode receber.
Nossa Senhora Aparecida, intercedei por nossas famílias e pelo nosso Brasil. Ficai junto de quem esperará a casa adormecer para poder chorar. Que essa pessoa encontre uma porta aberta, uma ligação atendida, uma presença amorosa. E, se ela me procurar, ajudai-me a acolhê-la.
Eu também preciso de vosso amparo, minha Mãe. Entrego-vos os que partiram, os que sofrem e tudo o que não consegui dizer. Levai-nos a Jesus e ajudai-nos a cuidar uns dos outros.
Amém.
Thaumaturgo Araujo
HÁ NOITES EM QUE O BRASIL ME DÓI.
Não consigo aceitar que o sofrimento de um povo não pode encontrar descanso na consciência de quem poderia ajudá-lo. E eu não consigo descansar por dentro.
Nesta noite, tenho dificuldade de escrever. Começo uma frase, interrompo, lembro de uma viagem, de uma terra onde pessoas foram enterradas. E fico algum tempo sem conseguir continuar.
Na proximidade de Finados, penso nos mortos. Mas são os vivos que me tiram o sossego.
Estive na Ucrânia. Visitei lugares marcados pelo assassinato de homens, mulheres e crianças. Famílias judias destruídas pela crueldade nazista. Pessoas que tinham uma casa, uma mesa, um trabalho, alguém por quem esperar no fim da tarde.
Ali, tentei compreender como um homem consegue olhar para uma criança e cumprir uma ordem de matá-la.
Até hoje não compreendo.
Penso nas famílias que tiveram de continuar vivendo com tantas ausências. Há perdas que acompanham uma pessoa até seu último dia. Ela envelhece, mas o filho de quem foi arrancada permanece criança na memória.
Também no Vietnã passei por uma região onde, segundo o relato que ouvi, milhares de pessoas haviam sido enterradas. Quem eram? Quem ficou esperando por elas? Quem sobreviveu para dizer seus nomes?
Conheci muitos países. Algumas paisagens me trouxeram alegria. Outras ainda me fazem baixar a cabeça.
O Brasil de hoje não se confunde com aquelas tragédias, e a singularidade do Holocausto merece respeito. Mas visitar aqueles lugares mudou minha maneira de olhar para o sofrimento humano e para a responsabilidade de quem exerce o poder.
É com essa inquietação que olho para o meu país.
Dói pensar numa mãe fazendo contas diante de uma prateleira. Num pai escondendo dos filhos a angústia de não conseguir lhes dar o necessário. Num jovem que abandona seus estudos porque a urgência de sobreviver chegou antes da oportunidade de aprender.
Quanto talento uma nação perde quando seus filhos passam a vida tentando apenas suportar o dia seguinte?
E me revolta perceber como o sofrimento do povo pode virar discurso, campanha, fotografia, promessa. A pessoa aparece por alguns segundos, com sua casa pobre ao fundo. Depois a câmera vai embora. A necessidade fica.
Tenho medo do atraso que se acumula, da educação que não chega, da dependência que se prolonga. Tenho medo de que nos acostumemos a defender homens públicos com mais empenho do que defendemos nossos próprios direitos.
Às vezes, imagino pequenas embarcações levadas por um rio que parece tranquilo. Dentro delas, famílias inteiras seguem ocupadas em sobreviver. Quem rema procura alimento, trabalho, alguma segurança para os filhos. Nem sempre consegue perceber a correnteza que aumenta, ouvir a queda-d’água que se aproxima.
Penso nas pessoas que confiaram em promessas sem dispor das informações necessárias para avaliá-las. Não consigo aceitar que sejam abandonadas enquanto quem percebeu o perigo se limita a dizer que havia avisado.
Quem consegue enxergar da margem tem a obrigação de procurar uma maneira de ajudar.
Isso exige que eu vigie também minha indignação. O voto diferente não me autoriza a julgar a inteligência, o caráter ou o amor de alguém pelo Brasil. Humilhar uma pessoa não abrirá a conversa que preciso ter com ela.
Minha cobrança é maior sobre quem recebeu autoridade e assumiu a responsabilidade de servir.
Como conseguem dormir aqueles que conhecem uma injustiça e dispõem de meios para enfrentá-la, mas escolhem o silêncio por conveniência?
Continua…
Penso também nas famílias atingidas pelas prisões e condenações relacionadas ao 8 de janeiro. Penso no nosso Jair Bolsonaro e em sua família. Penso em Cleriston Pereira da Cunha, o Clezão, que morreu enquanto estava sob a custódia do Estado. Seu nome não pode ser apenas uma referência numa discussão política. Havia uma vida, havia vínculos, havia pessoas esperando por sua volta. Para sua família, aquela espera terminou sem o abraço.
Não conheço cada processo para declarar a culpa ou a inocência de cada pessoa. Sei, porém, que nenhuma convicção política deve nos tornar indiferentes a uma pena injusta, a uma defesa desrespeitada ou às condições de saúde de quem está preso. Responsabilidades precisam ser individuais. A justiça precisa de provas e não pode perder sua humanidade.
É diante dessas preocupações que eu cobro de mim e de nós, bolsonaristas, uma responsabilidade que não podemos transferir.
Nós que participamos de grupos de debate, que estudamos política, geopolítica, democracia e direito, precisamos transformar esse esforço em esclarecimento acessível a outras pessoas.
Isso inclui estudar o Foro de São Paulo, a Agenda 2030, as instituições supranacionais, as propostas de governança global, as políticas climáticas e os debates sobre aborto, identidade e liberdade de expressão. Inclui compreender os diferentes sentidos atribuídos a expressões como globalismo, nova ordem mundial e movimento woke.
Cada tema exige exame próprio. Precisamos ler propostas, identificar interesses, investigar financiamentos e acompanhar resultados. Ao tratar de articulações reservadas ou sociedades secretas, precisamos distinguir documentação de suspeita. Uma acusação repetida muitas vezes continua precisando de provas.
Quero que tenhamos coragem para denunciar o que pudermos demonstrar e honestidade para reconhecer o que ainda não sabemos.
Imagino a dificuldade de quem passa o dia garantindo o sustento e recebe, à noite, um amontoado de notícias, promessas e acusações. Essa pessoa não vale menos porque desconhece um tratado ou nunca ouviu falar de determinada instituição.
Nós que sabemos procurar um gabinete, escrever a um deputado e dirigir uma cobrança a um senador temos trabalho a fazer.
Quero ver essa responsabilidade assumida em cada estado. Precisamos guardar os contatos institucionais dos nossos representantes, acompanhar seus votos e perguntar o que estão fazendo com o mandato que receberam.
Qual foi o seu voto? Que projeto apresentou? O que fez para fiscalizar o governo? Quem será beneficiado por essa proposta? Quem pagará a conta? Onde podemos acompanhar o resultado do compromisso que assumiu?
Nenhum representante deveria atravessar o mandato contando com o nosso esquecimento.
Precisamos cobrar também daqueles em quem votamos. Principalmente deles, porque receberam nossa confiança. Quero saber quando sustentam o que prometeram, quando recuam e por qual razão. Popularidade não dispensa preparo.
Em 2025, enviei 1.832 e-mails. Foi a maneira que encontrei de participar, questionar e deixar registrada minha posição. Não espero que todos façam o mesmo número. Espero que cada um encontre uma forma de não desaparecer da vida pública depois da eleição.
Podemos dividir esse acompanhamento entre pessoas dos nossos grupos, consultar informações oficiais, registrar compromissos e respostas. Levar aos gabinetes perguntas que expressem as necessidades das nossas comunidades. Cobrar com firmeza, sem ameaças, e compartilhar aquilo que conseguimos verificar.
Continua…..
É isso que peço de nós, bolsonaristas: que a convicção que afirmamos nos grupos apareça na constância com que acompanhamos nossos representantes. Que saibamos cobrar numa terça-feira comum, quando não há eleição, manifestação ou câmera apontada para nós.
Peço também respeito e lealdade aos líderes em quem depositamos nossa confiança. Que saibamos ouvir suas orientações e caminhar juntos, mesmo quando houver divergências. Nem toda discordância precisa se transformar em ruptura. Podemos preservar a união e debater nossas diferenças com franqueza e responsabilidade, mantendo a consciência, os princípios que defendemos e o compromisso de agir pacificamente e dentro da lei.
Temo que a perda de renda e a deterioração dos serviços públicos façam uma dificuldade alimentar a outra. Que a preocupação tire o sono, que o sofrimento adoeça, que a doença encontre uma porta fechada quando precisar de atendimento.
Não afirmo que esse futuro esteja escrito. É justamente por acreditar que podemos evitá-lo que insisto na nossa responsabilidade de agir.
Não desejo ver brasileiros se enfrentando. Não desejo que falte alimento para demonstrar a força de um protesto. Não quero uma mãe chorando seu filho para que alguém anuncie uma vitória.
Sou pai, sou avô, sou brasileiro. Já vivi o suficiente para saber que os anos perdidos de uma criança não lhe são devolvidos por um discurso. Que a fome de hoje não pode esperar a próxima eleição. Que uma família desfeita não se recompõe porque uma autoridade encerrou sua fala.
Nesta noite, levo essa amargura à oração. Recorro a Nossa Senhora e peço discernimento para que minha fé me ajude a cuidar dos vivos, sem transformar meus temores em profecias.
Peço a Deus que a nossa reação não reproduza o mal que nos indignou. Que a dor não nos ensine a ferir. Que a vontade de despertar consciências não nos faça humilhar aqueles que desejamos alcançar.
Tenho medo de nos vermos assim: uma multidão de olhos abertos e horizontes encobertos. Pessoas que trabalham, amam, criam seus filhos, mas já não conseguem distinguir, entre tantas promessas e ameaças, em quem confiar ou por onde seguir. Gente atônita diante dos acontecimentos, cansada demais para compreendê-los, insegura demais para dar o primeiro passo.
Não quero que a nossa tristeza aprofunde essa imobilidade. Quero que encontremos uma maneira de nos ajudar a sair dela.
Que o conhecimento nos dê paciência para explicar. Que a indignação nos dê coragem para cobrar. E que, ao estender a mão a quem está desorientado, saibamos também reconhecer os limites da nossa própria visão.
Na proximidade de Finados, lembro dos lugares que visitei e das vidas que ali terminaram. Penso em quantas daquelas pessoas só queriam voltar para casa.
E peço a Deus pelo povo que, na terça-feira, depois do feriado de Finados, vai acordar cedo, preparar o pouco que tem e retomar o trabalho. Peço também por aqueles cujo trabalho não pôde parar, nem mesmo enquanto os outros descansavam.
Que esse povo encontre em nós mais do que palavras de tristeza.
Que minha tristeza não me paralise e que eu não acrescente sofrimento ao sofrimento que desejo combater.
Thaumaturgo Araújo
NADA ABALARÁ O BOLSONARISMO. A TORRE TEM ALICERCES.
Aos que anunciam o fim do bolsonarismo a cada divergência ou mudança de posição, quero responder: não vamos ficar de lado. Sei por que cheguei até aqui. E sei por que permaneço.
Quem ainda não leu meu texto “A Torre do Bolsonarismo — Os Alicerces que Não se Veem e Não se Destroem”, por favor, leia. Como engenheiro, aprendi que a resistência de uma construção não pode ser avaliada apenas pelo que aparece acima do chão.
Vejo nossos alicerces nas pessoas que trabalham, educam seus filhos e participam da vida pública sem esperar um cargo em troca. Gente que encontrou motivos para estudar, questionar e assumir responsabilidade pelo Brasil. É nessa base que me reconheço.
Há conservadores que não são bolsonaristas. Há pessoas de direita que preferem outros caminhos. Que apresentem suas propostas e conquistem a confiança do eleitor. Não precisam exigir que abandonemos nossa identidade para construir a deles.
Minha convicção não depende de uma legenda nem da vontade de seu dirigente. Valdemar Costa Neto pode fazer suas escolhas. Nós também podemos fazer as nossas. Cabe perguntar que força teria o PL sem aqueles que nele confiaram por se reconhecerem no bolsonarismo. Nenhum partido é proprietário da consciência de seus eleitores.
Quem quiser seguir para o Centrão, siga. Não desejo companhia por obrigação. Mas quem se afasta precisa compreender que nosso apoio não estará automaticamente disponível quando voltar a precisar de votos. Confiança exige coerência e trabalho.
Confesso que me decepciona a facilidade com que alguns abandonam ideais quando os resultados demoram. Falam em liberdade, em transformação, em construir uma nação, mas parecem dispostos a participar apenas enquanto a vitória está próxima.
Passei décadas trabalhando e nunca conheci uma obra importante que dispensasse esforço, correção e perseverança. Por que seria diferente com um país?
Tenho pressa de ver o brasileiro viver melhor. Há famílias que não podem esperar. Justamente por isso, não quero desperdiçar nosso tempo com disputas de vaidade e soluções improvisadas. Precisamos estudar, organizar, fiscalizar e preparar pessoas capazes de governar.
Também precisamos examinar nossos erros. Minha lealdade não me obriga a fechar os olhos. Quero corrigir o que falhou e cobrar coerência de quem nos representa. Não me convence quem aparece depois do resultado afirmando que tinha a fórmula infalível da vitória.
Até dentro da minha família me perguntam de onde vem tamanha dedicação. Por que esse envolvimento, nesta altura da vida? Por que essa paixão que alguns chegam a chamar de loucura?
Talvez você, que me lê, também já tenha ouvido essa pergunta.
No meu caso, a resposta começa pela indignação. Ainda me revolta ver uma injustiça. Não consigo achar normal que alguém trabalhe tanto e continue sem segurança, sem atendimento, sem perspectiva. O sofrimento de uma família não se torna menor porque acontece longe da minha casa.
É por essas pessoas e pelo que a política pode fazer por elas que me envolvo.
Continua na parte 2.
Quem estudou mais explique com clareza. Quem aprendeu fazendo compartilhe o que sabe. Uma dúvida merece atenção, mesmo quando a resposta parece evidente. Ninguém deveria sair de uma conversa humilhado por saber menos.
Às vezes, vejo nos grupos a impaciência ocupar o lugar da escuta. Vamos debater e questionar, mas também reconhecer quando o outro tem razão. Eu ainda tenho muito a aprender. Todos temos. Nossas conversas podem produzir propostas e ajudar aqueles que nos representarão, desde que exista disposição para ouvir.
Aos adversários que nos tratam como inimigos, peço que acompanhem o governo que apoiaram. Examinem suas decisões, fiscalizem seus gastos e cobrem as promessas. A responsabilidade do eleitor continua depois do voto.
Deixem-nos trabalhar em paz, com o mesmo direito de participação que reconhecemos em vocês. O debate faz parte da democracia; a hostilidade permanente consome um tempo que poderia servir ao país.
Uma família não precisa votar como eu para merecer minha preocupação. Quero segurança, trabalho, liberdade e dignidade também para quem discorda de mim. Meu compromisso alcança esses brasileiros. Sem isso, que sentido teria falar em amor à pátria?
É por acreditar nesses compromissos que vejo um futuro para o bolsonarismo além da vida de seus fundadores. Desejo vida longa aos Bolsonaro, mas nenhum de nós é eterno. Cabe a quem permanece transmitir o que aprendeu e assumir responsabilidade pelo que defende.
Passei décadas dedicado a empresas, enfrentando dificuldades e ajudando a gerar milhares de empregos. Sei o que significa uma família depender de um salário. Entreguei àquele trabalho grande parte dos meus dias.
Agora quero dedicar ao Brasil os anos que Deus me permitir viver. Ainda tenho experiência para compartilhar, disposição para aprender e uma voz que pode servir.
Minha vida é do Brasil. Minha vida é de Deus.
Eu amo amar a Deus. Estive distante, senti-me perdido, mas O reencontrei. Quero que minha fé apareça na maneira como trato as pessoas, na honestidade com que examino minhas escolhas e no cuidado com o tempo que ainda tenho.
É isso que gostaria que minha família compreendesse. Esse entusiasmo vem de um homem que trabalhou muito e continua encontrando razões para se dedicar. A injustiça ainda me dói. A desistência fácil me entristece. Mas encontro gente disposta a ensinar, a aprender e a fazer sua parte. Isso me anima a continuar.
Quero que meus filhos e netos saibam que procurei contribuir. Que, enquanto tive voz, disposição e consciência, participei.
A torre tem alicerces. Eu continuo aqui para ajudar a cuidar deles.
O bolsonarismo não termina aqui. Eu também não.
Thaumaturgo Araújo
Quem despertou em mim essa vontade de participar não foi um doutor, um cientista ou um dos filósofos gregos que estudei. Foi um capitão do Exército brasileiro que entrou na vida pública: Jair Messias Bolsonaro.
Eu observava aquele homem. Prestava atenção às palavras, ao jeito, às reações. Enxergava uma sinceridade que me tocava. Na maneira como conversava com as pessoas, reconhecia proximidade e empatia. Via alguém disposto a sacrificar a própria tranquilidade pelo país.
Comovia-me também o respeito que percebia em seus filhos pelo pai. Aquela ligação familiar encontrava correspondência em valores que procurei cultivar dentro da minha própria casa.
Aprendi com Olavo de Carvalho, com as perguntas que suas obras me provocaram e com os estudos aos quais passei a me dedicar. Assuntos que haviam ficado distantes durante uma vida absorvida pelo trabalho voltaram a exigir minha atenção.
Esse despertar também se encontrou com minha fé. Ao observar a fé expressa por Bolsonaro, voltei a olhar para a minha. Seu exemplo fez parte do meu caminho de volta a Deus. Posso avaliar suas decisões, discordar de escolhas e conservar a gratidão pelo que despertou em mim. Uma gratidão que levarei até o último dia da minha vida.
Minhas convicções carregam ainda as marcas dos 62 países que percorri. Além de apreciar suas belezas, eu viajava para estudar. Fui além das capitais e dos roteiros turísticos. Visitei o interior, procurei lugares onde os fatos aconteceram e conversei com pessoas sobre suas experiências.
Estive em Cuba, na Rússia, na Polônia, na China e em países da África. Nos lugares que conheceram o comunismo e outros regimes totalitários, procurava entender como aqueles sistemas funcionaram e quais consequências deixaram na vida das pessoas.
Em Varsóvia e nos lugares de memória do Holocausto que visitei, pensei nas vidas destruídas pelo extermínio nazista. As perseguições dos regimes comunistas têm outra história e seus próprios responsáveis. Conhecer essas diferenças faz parte do respeito que devemos às vítimas.
Cada pessoa tinha uma família, planos, uma vida que desejava continuar. Diante disso, não consigo aceitar que o sofrimento humano seja tratado como um detalhe inconveniente na defesa de uma ideologia.
Viajar não me tornou infalível. Mas o que vi, ouvi e estudei ajuda a explicar minhas convicções. A quem discorda de mim, peço que conheça também os testemunhos, os documentos e a experiência de quem viveu sob esses regimes. Escutar essas pessoas é uma responsabilidade de quem deseja discutir suas histórias.
Desse percurso nasce minha rejeição ao comunismo e a qualquer projeto que coloque o Estado, um partido ou um governante acima da dignidade humana.
O bolsonarismo que defendo precisa ser coerente com a liberdade, a responsabilidade pública, o respeito à fé, à família e à igualdade perante a lei. Esses compromissos devem orientar nossas atitudes, inclusive quando exigirem reconhecer uma falha entre nós.
Aos que, como eu, amam esse movimento, faço um pedido: tenhamos paciência uns com os outros. Mais conhecimento não torna ninguém superior. A experiência deve aumentar nossa disposição para ajudar.
Continua…
NADA ABALARÁ O BOLSONARISMO. A TORRE TEM ALICERCES.
Aos que anunciam o fim do bolsonarismo a cada divergência ou mudança de posição, quero responder: não vamos ficar de lado. Sei por que cheguei até aqui. E sei por que permaneço.
Quem ainda não leu meu texto “A Torre do Bolsonarismo — Os Alicerces que Não se Veem e Não se Destroem”, por favor, leia. Como engenheiro, aprendi que a resistência de uma construção não pode ser avaliada apenas pelo que aparece acima do chão.
Vejo nossos alicerces nas pessoas que trabalham, educam seus filhos e participam da vida pública sem esperar um cargo em troca. Gente que encontrou motivos para estudar, questionar e assumir responsabilidade pelo Brasil. É nessa base que me reconheço.
Há conservadores que não são bolsonaristas. Há pessoas de direita que preferem outros caminhos. Que apresentem suas propostas e conquistem a confiança do eleitor. Não precisam exigir que abandonemos nossa identidade para construir a deles.
Minha convicção não depende de uma legenda nem da vontade de seu dirigente. Valdemar Costa Neto pode fazer suas escolhas. Nós também podemos fazer as nossas. Cabe perguntar que força teria o PL sem aqueles que nele confiaram por se reconhecerem no bolsonarismo. Nenhum partido é proprietário da consciência de seus eleitores.
Quem quiser seguir para o Centrão, siga. Não desejo companhia por obrigação. Mas quem se afasta precisa compreender que nosso apoio não estará automaticamente disponível quando voltar a precisar de votos. Confiança exige coerência e trabalho.
Confesso que me decepciona a facilidade com que alguns abandonam ideais quando os resultados demoram. Falam em liberdade, em transformação, em construir uma nação, mas parecem dispostos a participar apenas enquanto a vitória está próxima.
Passei décadas trabalhando e nunca conheci uma obra importante que dispensasse esforço, correção e perseverança. Por que seria diferente com um país?
Tenho pressa de ver o brasileiro viver melhor. Há famílias que não podem esperar. Justamente por isso, não quero desperdiçar nosso tempo com disputas de vaidade e soluções improvisadas. Precisamos estudar, organizar, fiscalizar e preparar pessoas capazes de governar.
Também precisamos examinar nossos erros. Minha lealdade não me obriga a fechar os olhos. Quero corrigir o que falhou e cobrar coerência de quem nos representa. Não me convence quem aparece depois do resultado afirmando que tinha a fórmula infalível da vitória.
Até dentro da minha família me perguntam de onde vem tamanha dedicação. Por que esse envolvimento, nesta altura da vida? Por que essa paixão que alguns chegam a chamar de loucura?
Talvez você, que me lê, também já tenha ouvido essa pergunta.
No meu caso, a resposta começa pela indignação. Ainda me revolta ver uma injustiça. Não consigo achar normal que alguém trabalhe tanto e continue sem segurança, sem atendimento, sem perspectiva. O sofrimento de uma família não se torna menor porque acontece longe da minha casa.
É por essas pessoas e pelo que a política pode fazer por elas que me envolvo.
Continua na parte 2.
Quem despertou em mim essa vontade de participar não foi um doutor, um cientista ou um dos filósofos gregos que estudei. Foi um capitão do Exército brasileiro que entrou na vida pública: Jair Messias Bolsonaro.
Eu observava aquele homem. Prestava atenção às palavras, ao jeito, às reações. Enxergava uma sinceridade que me tocava. Na maneira como conversava com as pessoas, reconhecia proximidade e empatia. Via alguém disposto a sacrificar a própria tranquilidade pelo país.
Comovia-me também o respeito que percebia em seus filhos pelo pai. Aquela ligação familiar encontrava correspondência em valores que procurei cultivar dentro da minha própria casa.
Aprendi com Olavo de Carvalho, com as perguntas que suas obras me provocaram e com os estudos aos quais passei a me dedicar. Assuntos que haviam ficado distantes durante uma vida absorvida pelo trabalho voltaram a exigir minha atenção.
Esse despertar também se encontrou com minha fé. Ao observar a fé expressa por Bolsonaro, voltei a olhar para a minha. Seu exemplo fez parte do meu caminho de volta a Deus. Posso avaliar suas decisões, discordar de escolhas e conservar a gratidão pelo que despertou em mim. Uma gratidão que levarei até o último dia da minha vida.
Minhas convicções carregam ainda as marcas dos 62 países que percorri. Além de apreciar suas belezas, eu viajava para estudar. Fui além das capitais e dos roteiros turísticos. Visitei o interior, procurei lugares onde os fatos aconteceram e conversei com pessoas sobre suas experiências.
Estive em Cuba, na Rússia, na Polônia, na China e em países da África. Nos lugares que conheceram o comunismo e outros regimes totalitários, procurava entender como aqueles sistemas funcionaram e quais consequências deixaram na vida das pessoas.
Em Varsóvia e nos lugares de memória do Holocausto que visitei, pensei nas vidas destruídas pelo extermínio nazista. As perseguições dos regimes comunistas têm outra história e seus próprios responsáveis. Conhecer essas diferenças faz parte do respeito que devemos às vítimas.
Cada pessoa tinha uma família, planos, uma vida que desejava continuar. Diante disso, não consigo aceitar que o sofrimento humano seja tratado como um detalhe inconveniente na defesa de uma ideologia.
Viajar não me tornou infalível. Mas o que vi, ouvi e estudei ajuda a explicar minhas convicções. A quem discorda de mim, peço que conheça também os testemunhos, os documentos e a experiência de quem viveu sob esses regimes. Escutar essas pessoas é uma responsabilidade de quem deseja discutir suas histórias.
Desse percurso nasce minha rejeição ao comunismo e a qualquer projeto que coloque o Estado, um partido ou um governante acima da dignidade humana.
O bolsonarismo que defendo precisa ser coerente com a liberdade, a responsabilidade pública, o respeito à fé, à família e à igualdade perante a lei. Esses compromissos devem orientar nossas atitudes, inclusive quando exigirem reconhecer uma falha entre nós.
Aos que, como eu, amam esse movimento, faço um pedido: tenhamos paciência uns com os outros. Mais conhecimento não torna ninguém superior. A experiência deve aumentar nossa disposição para ajudar.
Continua na parte 3.
Quem estudou mais explique com clareza. Quem aprendeu fazendo compartilhe o que sabe. Uma dúvida merece atenção, mesmo quando a resposta parece evidente. Ninguém deveria sair de uma conversa humilhado por saber menos.
Às vezes, vejo nos grupos a impaciência ocupar o lugar da escuta. Vamos debater e questionar, mas também reconhecer quando o outro tem razão. Eu ainda tenho muito a aprender. Todos temos. Nossas conversas podem produzir propostas e ajudar aqueles que nos representarão, desde que exista disposição para ouvir.
Aos adversários que nos tratam como inimigos, peço que acompanhem o governo que apoiaram. Examinem suas decisões, fiscalizem seus gastos e cobrem as promessas. A responsabilidade do eleitor continua depois do voto.
Deixem-nos trabalhar em paz, com o mesmo direito de participação que reconhecemos em vocês. O debate faz parte da democracia; a hostilidade permanente consome um tempo que poderia servir ao país.
Uma família não precisa votar como eu para merecer minha preocupação. Quero segurança, trabalho, liberdade e dignidade também para quem discorda de mim. Meu compromisso alcança esses brasileiros. Sem isso, que sentido teria falar em amor à pátria?
É por acreditar nesses compromissos que vejo um futuro para o bolsonarismo além da vida de seus fundadores. Desejo vida longa aos Bolsonaro, mas nenhum de nós é eterno. Cabe a quem permanece transmitir o que aprendeu e assumir responsabilidade pelo que defende.
Passei décadas dedicado a empresas, enfrentando dificuldades e ajudando a gerar milhares de empregos. Sei o que significa uma família depender de um salário. Entreguei àquele trabalho grande parte dos meus dias.
Agora quero dedicar ao Brasil os anos que Deus me permitir viver. Ainda tenho experiência para compartilhar, disposição para aprender e uma voz que pode servir.
Minha vida é do Brasil. Minha vida é de Deus.
Eu amo amar a Deus. Estive distante, senti-me perdido, mas O reencontrei. Quero que minha fé apareça na maneira como trato as pessoas, na honestidade com que examino minhas escolhas e no cuidado com o tempo que ainda tenho.
É isso que gostaria que minha família compreendesse. Esse entusiasmo vem de um homem que trabalhou muito e continua encontrando razões para se dedicar. A injustiça ainda me dói. A desistência fácil me entristece. Mas encontro gente disposta a ensinar, a aprender e a fazer sua parte. Isso me anima a continuar.
Quero que meus filhos e netos saibam que procurei contribuir. Que, enquanto tive voz, disposição e consciência, participei.
A torre tem alicerces. Eu continuo aqui para ajudar a cuidar deles.
O bolsonarismo não termina aqui. Eu também não.
Thaumaturgo Araújo
A TORRE.
Não precisa ser engenheiro para entendê-la.
O BOLSONARISMO E OS ALICERCES QUE NÃO SE VEEM E NÃO SE DESTROEM
Meus queridos amigos, tenho acompanhado com atenção os acontecimentos que se sucederam às eleições. Confesso que algumas manifestações me causam profunda estranheza.
Mal terminou a disputa eleitoral e já começaram a aparecer os conhecidos especialistas de ocasião. Aqueles que parecem possuir respostas para tudo, que anunciam novas lideranças, propõem a reorganização da direita brasileira e, com uma segurança impressionante, decretam o enfraquecimento do bolsonarismo.
Alguns já se apresentam como sucessores naturais. Outros parecem acreditar que chegou a hora de repartir aquilo cuja construção sequer compreenderam.
Mas será que essas pessoas sabem, realmente, do que estão falando? Será que conhecem a profundidade desse sentimento que despertou em milhões de brasileiros?
Meus amigos, permitam-me recorrer a uma experiência da minha própria vida.
Sou engenheiro. Conheci o Burj Khalifa, em Dubai, o edifício mais alto do mundo, com seus extraordinários 828 metros de altura. Acompanhei a construção do The Shard, em Londres, às margens do rio Tâmisa, e presenciei também o impressionante crescimento vertical de Manhattan, onde torres monumentais desafiam os limites da engenharia.
Imaginem, por um instante, uma dessas construções. Observem sua altura, sua imponência, a extraordinária ousadia humana de erguer uma estrutura que parece alcançar os céus.
Agora, meus amigos, façam comigo um exercício diferente.
Esqueçam por alguns instantes os últimos andares, o brilho das fachadas e a beleza da arquitetura.
Olhem para baixo.
Muito mais para baixo.
Imaginem aquilo que não aparece nas fotografias, que os turistas não conseguem contemplar, que permanece oculto sob toneladas de concreto, aço e terra.
É ali que começa a verdadeira história daquela construção.
Como engenheiro, aprendi que nenhuma torre alcança tamanha grandeza apenas pela altura que possui. Antes de subir, foi necessário escavar. Antes de enfrentar os ventos, foi preciso conhecer o terreno, calcular as cargas e projetar uma estrutura capaz de resistir às forças que atuariam sobre ela.
Há uma extraordinária inteligência escondida sob aquilo que admiramos na superfície.
Essa imagem sempre me vem à mente quando observo o que está acontecendo com o bolsonarismo.
Vejo pessoas discutindo quem ocupará o topo dessa construção política sem demonstrarem a menor compreensão da profundidade de seus fundamentos.
Ora, meus amigos, não é assim que as coisas funcionam!
Não basta alguém acordar pela manhã, reunir meia dúzia de aliados, anunciar uma nova corrente política e imaginar que milhões de brasileiros simplesmente abandonarão suas convicções para segui-lo.
A confiança de um povo não se transfere como a propriedade de um imóvel.
Continua…
E vou mais longe, meus amigos. Muito mais longe.
Minha esperança é que os valores que reconheço nesse movimento possam ser compreendidos e debatidos também além das fronteiras brasileiras. Que outros povos encontrem nessa experiência motivos para refletir sobre liberdade, responsabilidade, respeito à vida, proteção da família e dignidade humana.
Não acredito que uma experiência política possua todas as respostas ou deva ser reproduzida sem reflexão. Acredito, porém, que ideias capazes de contribuir para uma sociedade mais justa merecem ser conhecidas, examinadas e compartilhadas.
É esse o mundo que desejo ajudar a construir, onde a liberdade caminhe ao lado da responsabilidade, a Justiça proteja o cidadão e o poder exista para servir às pessoas.
Volto agora àqueles que construíram suas carreiras políticas com o apoio de Jair Bolsonaro e de seus seguidores.
Ninguém está impedido de mudar de ideias, construir outros caminhos ou disputar novos cargos. Entretanto, quem se apresenta ao eleitorado como representante de determinados princípios assume compromissos públicos que não deveriam desaparecer depois da eleição.
Estaremos atentos à coerência entre aquilo que foi prometido e aquilo que será praticado. Acompanharemos os mandatos, cobraremos explicações e exerceremos nosso direito de avaliar cada representante.
E, quando chegar o momento, a história registrará não apenas os cargos que esses homens ocuparam, mas também a fidelidade que demonstraram aos compromissos que livremente assumiram.
É aqui que desejo fazer uma advertência aos apressados.
Meus amigos, observo com preocupação aqueles que confundem a oportunidade de participar de um movimento com a pretensão de se tornarem seus proprietários.
Alguns parecem acreditar que a projeção conquistada em uma campanha lhes concede automaticamente o direito de comandar os eleitores que os apoiaram.
Que grave equívoco!
Nenhum parlamentar, senador ou governador recebe, junto com seu mandato, uma escritura de propriedade sobre a consciência daqueles que o elegeram.
O eleitor é livre. Possui memória, convicções e o direito de exigir coerência dos representantes em quem depositou sua confiança.
Quem assumiu compromissos públicos deverá responder por eles. Quem modificar suas posições precisará explicar suas razões. E quem imaginar que pode transformar apoios recebidos em patrimônio pessoal terá de conviver com o julgamento dos próprios eleitores.
Não vejo nisso uma questão de vingança ou de submissão a uma liderança. Vejo uma responsabilidade democrática que não deveria ser esquecida.
Meus amigos, permitam-me retornar à imagem da torre.
Imaginem agora uma tempestade violenta aproximando-se daquela construção monumental.
Os ventos atingem seus andares mais altos. A estrutura enfrenta pressões extraordinárias. Quem observa de longe talvez se impressione com a intensidade das forças que parecem ameaçá-la.
Entretanto, o engenheiro sabe que sua resistência não depende de uma aparência de imobilidade. Uma torre pode apresentar deslocamentos calculados sob a ação dos ventos. O essencial é que sua estrutura tenha sido concebida para suportar esses esforços com segurança.
Essa particularidade da engenharia sempre me fascinou.
A solidez não significa ausência de movimento. Significa capacidade de resistir sem perder a integridade.
Continua…
Quando penso nos grandes movimentos humanos, vejo algo semelhante.
Uma derrota pode provocar abalos, dúvidas e reorganizações. Não determina, necessariamente, o desaparecimento das convicções que sustentam um movimento.
Por essa razão, não considero encerrada a história do bolsonarismo.
O Burj Khalifa possui uma altura definida. A torre que imagino como símbolo dessa consciência conservadora não precisa ter um último andar.
Seu crescimento dependerá das gerações que vierem, das ideias que conseguirem preservar e da capacidade de seus representantes de continuar merecendo confiança.
Jair Bolsonaro ocupa um lugar central na história política desse movimento. Seus filhos poderão contribuir para sua continuidade, assim como outras lideranças poderão participar de seu desenvolvimento.
Mas ninguém deveria confundir o desejo de comandar com a capacidade de representar.
E aqui, meus amigos, faço questão de deixar uma reflexão àqueles que já disputam posições no alto dessa construção.
Não se constrói uma nova torre simplesmente anunciando a demolição daquela que permanece de pé.
Quem deseja construir algo duradouro precisa demonstrar que conhece o terreno, compreende os fundamentos e possui condições de sustentar a própria obra.
Não basta anunciar grandeza. É necessário construí-la.
Quanto a nós, continuaremos trabalhando.
Não confundam nosso silêncio com desistência, nem a tristeza de uma derrota com o abandono de nossas convicções.
Continuaremos estudando, debatendo, formando consciências, fiscalizando nossos representantes e defendendo, pelos meios democráticos, os valores nos quais acreditamos.
Não pretendo abandonar aquilo que considero importante para o futuro do Brasil. Sei que muitos brasileiros compartilham esse mesmo compromisso, embora cada um possua sua própria maneira de expressá-lo.
Quando acompanhei aquelas grandes construções, percebi que a parte mais admirada de uma torre não é necessariamente a mais importante para sua sobrevivência.
O tempo modifica as cidades. Novos edifícios surgem, outros envelhecem, as paisagens se transformam e até as obras mais extraordinárias exigem manutenção e cuidados.
Na política, os homens também passam. Seus cargos terminam, suas imagens permanecem nos arquivos e seus discursos passam a pertencer à história.
O que continuará existindo dependerá daquilo que efetivamente construíram na consciência das pessoas.
Meus queridos amigos, não sei quantas tempestades ainda virão. Sei, porém, que continuaremos trabalhando, examinando nossas próprias falhas e cuidando daquilo que consideramos essencial.
Um dia, outros homens ocuparão os andares mais altos. Outros nomes serão pronunciados, outras disputas acontecerão. E a história decidirá o que mereceu permanecer.
Quando esse dia chegar, espero que ninguém se esqueça de olhar para baixo, muito abaixo das fachadas e dos últimos andares.
É nas profundezas que uma torre começa. E é ali que se decide quanto tempo ela poderá permanecer de pé.
Thaumaturgo Araújo
PARTE 1/7
A MALDITA MALDIÇÃO DA IGNORÂNCIA DE UM POVO
LEIA COM ATENÇÃO. AO FINAL DESTA LEITURA, VOCÊ TERÁ DIANTE DE SI UMA VISÃO AMPLA E COERENTE DO QUE ACONTECEU, DO QUE PODERÁ ACONTECER E DO SIGNIFICADO ESPIRITUAL QUE TALVEZ ESTEJA ESCONDIDO POR TRÁS DE TUDO ISSO.
Este não é apenas um texto sobre o resultado de uma eleição. É uma reflexão profunda, nascida de horas de silêncio, caminhada, recolhimento e oração, tentando compreender tudo o que aconteceu e que ensinamentos Deus pode estar nos permitindo enxergar.
Em outras grandes crises de minha vida, já tive a oportunidade de perceber sinais que, à luz da fé, interpretei como orientações de Deus. Foi no silêncio, no isolamento e na reflexão que consegui captá-los.
Há momentos em que a experiência percebe aquilo que os números ainda não conseguiram revelar.
Quem já atravessou crises políticas, econômicas, empresariais e institucionais aprende a reconhecer certos sinais antes que eles apareçam nas manchetes.
Não escrevo movido apenas pela tristeza do resultado eleitoral. Tampouco pretendo transformar minha intuição em verdade absoluta. Mas existe dentro de mim uma convicção profunda: o governo que se anuncia poderá enfrentar uma das mais graves crises de governabilidade de nossa história recente.
Talvez não consiga chegar sequer à metade do novo mandato.
Reconheço uma convergência de fatores capazes de tornar o país praticamente ingovernável: desequilíbrio fiscal, crescimento das despesas públicas, aumento das obrigações tributárias, retração dos investimentos, insegurança jurídica, Congresso hostil, população dividida e um presidente que me parece incapaz de compreender a verdadeira dimensão do problema.
Nenhum governo se sustenta apenas com discursos, propaganda, recordações de conquistas passadas ou promessas eleitorais.
A urna encerra uma eleição.
Ela não suspende a realidade.
CONTINUA…
PARTE 6/7
UMA PROVAÇÃO NACIONAL E A PEDAGOGIA DOLOROSA DA REALIDADE
Não desejo o sofrimento do Brasil.
Não torço pelo desemprego.
Não celebro o fechamento de empresas.
Não quero ver famílias sem renda, trabalhadores desesperados ou idosos contando moedas para comprar remédios.
Ao contrário, peço a Deus que nos poupe do pior.
Mas talvez o Brasil precise atravessar uma provação nacional para compreender aquilo que se recusou a enxergar.
Existem erros que podem ser corrigidos pela razão. Outros somente são compreendidos quando suas consequências batem à porta.
A crise não pergunta em quem cada pessoa votou.
A inflação não distingue direita de esquerda.
O desemprego não consulta filiação partidária.
A fome não pergunta se a família apoiou Lula ou Flávio.
Quando uma nação escolhe, todos acabam enfrentando as consequências, inclusive aqueles que advertiram, lutaram e votaram pelo caminho contrário.
É isso que torna a ignorância política uma maldição coletiva.
O erro pode ser individual.
Mas a conta é nacional.
Durante décadas, plantaram na consciência de milhões de brasileiros a crença de que o Estado é um pai inesgotável. Um pai que oferece emprego, renda, casa, alimentação, educação, saúde, crédito e prosperidade, mas nunca explica quem produzirá os recursos necessários para cumprir suas promessas.
Talvez o Brasil esteja prestes a receber uma pedagogia dolorosa da realidade.
A realidade ensinará que o governo não produz riqueza por decreto.
Que nenhuma canetada substitui o trabalho.
Que nenhum imposto cria prosperidade.
Que nenhuma propaganda mantém uma empresa aberta.
Que nenhum programa social pode ser sustentado indefinidamente se a economia que o financia estiver sendo sufocada.
O Estado pode e deve proteger os vulneráveis. Uma sociedade cristã jamais abandona os pobres, os idosos, os doentes e aqueles que verdadeiramente necessitam de amparo.
Mas proteger não é aprisionar.
Amparar não é dominar.
Ajudar não é transformar a necessidade em dependência permanente.
E combater a pobreza não é utilizá-la como instrumento de controle eleitoral.
O verdadeiro programa social conduz a pessoa à autonomia.
Não compra sua gratidão.
Não aprisiona sua consciência.
Não transforma seu sofrimento em voto.
CONTINUA…
PARTE 7/7
PURIFICAÇÃO POLÍTICA E O ENCONTRO COM A REALIDADE
Se essa provação realmente chegar, ela somente terá sentido se produzir um processo de purificação política.
Não falo de perseguição, vingança, proibição de partidos ou supressão de ideias.
Falo do fim da exploração eleitoral da pobreza, da utilização dos necessitados como patrimônio político e da mentira segundo a qual toda crítica ao governo representa uma agressão aos pobres.
A consequência mais profunda poderá ser a descomunização da consciência brasileira.
O Brasil não precisa apenas trocar de governantes.
Precisa deixar de ter donos.
Uma nação adulta não procura pais políticos.
Procura servidores públicos.
Chega um momento em que nenhuma narrativa consegue esconder o prato vazio, a conta atrasada, o emprego perdido e a porta fechada de uma empresa.
Então ocorrerá o acerto de contas da realidade com a mentira.
Talvez ali comece o fim do método político simbolizado por Janones: a mentira transformada em estratégia, a manipulação elevada à categoria de militância e a destruição de reputações utilizada como arma eleitoral.
Não será o fim de uma pessoa.
Deverá ser o fim de um método.
A realidade não possui partido.
Não participa de comícios.
Não se impressiona com discursos.
E nunca perde uma eleição.
O maior adversário do próximo governo não será Flávio Bolsonaro, a oposição, o Congresso ou as redes sociais.
Será a realidade.
A fome não acredita em propaganda.
O desempregado não alimenta os filhos com estatísticas oficiais.
As instituições podem administrar conflitos, mas não conseguem fabricar prosperidade, comida, emprego, renda e esperança.
Talvez a crise se transforme em um doloroso resgate da consciência nacional.
Uma consciência livre não pertence a partido, ideologia ou presidente. Não troca liberdade por benefício, não confunde assistência com submissão e não aceita ser mantida na pobreza para servir como instrumento eleitoral.
Tenho uma intuição muito forte de que alguma coisa profunda acontecerá, talvez antes mesmo que esse governo complete a primeira metade do novo mandato.
Posso estar enganado. Mas um governo não permanece de pé quando reúne arrogância política, deterioração econômica, perda de confiança e incapacidade de reconhecer os próprios erros.
Um governo pode sobreviver à oposição, às manchetes, aos escândalos e, durante algum tempo, à própria incompetência.
O que nenhum governo consegue é governar indefinidamente contra os fatos.
Quando os fatos chegam, não pedem licença, não aceitam propaganda e não fazem acordos.
Talvez Deus não tenha entregado o Brasil a Lula como um prêmio.
Talvez tenha permitido que Lula permanecesse diante da própria obra e assumisse o peso das próprias escolhas.
Talvez Deus não tenha negado a vitória a Flávio.
Talvez o tenha preservado do ônus histórico de administrar uma crise que não criou e da responsabilidade por um desastre que não produziu.
Talvez o tenha preservado para outro momento, quando o Brasil estiver preparado não apenas para trocar de presidente, mas para trocar de consciência.
TALVEZ A DERROTA DE FLÁVIO TENHA SIDO UMA PROTEÇÃO. E TALVEZ A VITÓRIA DE LULA TENHA SIDO O INÍCIO DE SUA MAIOR RESPONSABILIDADE HISTÓRICA.
QUEM SEMEOU A ILUSÃO TERÁ DE ENFRENTAR A COLHEITA AMARGA. QUEM CONSTRUIU O MODELO TERÁ DE CARREGAR O PESO DAS PRÓPRIAS ESCOLHAS.
O GOVERNO PODERÁ TORNAR-SE INGOVERNÁVEL NÃO POR CAUSA DE UMA PROFECIA, MAS PELA CONVERGÊNCIA DE SEUS PRÓPRIOS ERROS.
E, SE DEUS PERMITIR QUE ESSA PROVAÇÃO SE TRANSFORME EM CONSCIÊNCIA, A MALDITA MALDIÇÃO DA IGNORÂNCIA PODERÁ SER O ÚLTIMO SOFRIMENTO DE UM POVO ANTES DE SUA VERDADEIRA LIBERTAÇÃO.
Thaumaturgo Araujo
